Já é de praxe, para quem observa os sites noticiosos horizontais, a ânsia em se fazer estardalhaços com a vida dos famosos. Uma prática muito constante e que cada vez mais chama a minha atenção é o preparo de um obituário. As redações estão cada vez mais empenhadas nisso, passando às vezes do limite.
Ontem, o exímio ator americano, Morgan Freeman, ganhador do Oscar em 2005 pelo filme ” Menina de Ouro” , capotou com o carro e foi internado em estado grave. Por já ser um septuagenário, não deu nem dez minutos e a Folha Online já o dava como morto. Não explicitamente, mas nas entrelinhas estava bem claro, citando até a filmografia do ator com um ar de saudade. Como na frase “Ele iria viver Nelson Mandela no filme ‘The Human Factor’ com estréia prevista para 2009″
Para satisfazer a curiosidade de quem não sabe, algumas pessoas são encarregadas nas redações de fazer estes obituários, para quando a pessoa falecer, já possuirem o material para divulgar. É até um ato de maldade dos jornalistas, mas é assim que é. Eles avaliam a idade e os riscos que a pessoa tem, e vão montando o chamado “material de gaveta”, quando acontecer, é só publicar.
O UOL certa vez, divulgou que Mario Covas havia morrido com direito a biografia e tudo, mas ele ainda estava vivo. Irresponsabilidade total. Agora imaginem o obituário da Dercy Gonçalves. Devia estar pronto há uns 20 anos, no mínimo.
Acontece que muita coisa entra em jogo. Uma informação destorcida em um site de grande audiência pode causar danos a familia, amigos e até mesmo a própria pessoa que está em tratamento ou em idade avançada.
Hoje, a Folha voltou atrás e tirou as frases que davam com certa a morte do ator. Após a divulgação do quadro clínico de Freeman, dizendo que ele sofreu fraturas no braço, no cotovelo e alguns ferimentos no ombro, as palavras agora são de otimismo e superação com espaço até para uma citação dele dizendo que quer se recuperar rápido.
Esta é a imprensa e o seu poder devastador. Bate e depois assopra.