Ontem, o STF (Superior Tribunal Federal) derrubou a obrigatoriedade do diploma para jornalistas por 8 votos a 1. A única coisa que passa pela minha cabeça é: o que desqualifica o jornalismo como profissão para que não seja necessária a graduação?
Muitas coisas podem ser levadas em consideração, como por exemplo a perseguição de jornalistas aos políticos, cobrando e fiscalizando cada ação. Sendo assim, é muito mais fácil deixar que qualquer um seja jornalista e a cobertura perca a qualidade, o caminho fica livre e a pedra no sapato passa a não incomodar como antes.
É verdade que alguns dos grandes jornalistas que marcaram época no jornalismo brasileiro foram autodidatas, dentre eles Machado de Assis um dos criadores da imprensa no Brasil. Mas seria ousado comparar a nossa realidade com a do século retrasado e principalmente a capacidade intelectual de Machado de Assis com a de quem quer que seja.
Costumam dizer que a faculdade não serve para nada e você acaba aprendendo mesmo é na rua, no dia-a-dia da profissão. Concordo em partes, muito do que sei aprendi fora da universidade, mas as partes teórica e ética, que são fundamentais, não são aprendidas na cobertura diária.
Encerro com uma suposição: se de repente cancelassem a obrigatoriedade do diploma para engenheiros e médicos, quem garantiria a qualidade das construções e dos atendimentos de saúde? Você compraria um apartamento ou deixaria um ente querido seu em um leito hospitalar com a consciência tranquila?
Vale pensar nisso na hora de comprar um jornal e ler algo escrito por quem não estudou para exercer tal função.