Os dias começam sempre iguais e criam uma rotina involuntária que dificilmente é mudada. Salve raras exceções, como por exemplo nos dias chuvosos, cinzentos, que insistem em suplantar o brilho do sol.
No primeiro passo fora de casa já é possível ouvir: “Que dia feio”, “Hoje promete”, “Que dia bom pra ficar em casa assistindo televisão”. Poucos param para refletir sobre o lado bom desse dia que, para grande parcela dos paulistanos, da qual faço parte, é desgastante ao extremo.
Sigo o meu rumo diário pensando o porque de acordar tão cedo e dormir tão pouco. Chego até a conflitar com meu subconsciente, tentando chegar a uma conclusão sobre “o que estou fazendo aqui com esse tempo chato e minha cama clamando pela minha estadia”.
É comum brasileiros e, mais ainda os paulistanos, reclamarem da vida e acharem que o seu problema é sempre pior que o do vizinho e o seu trabalho é mais desgastante que o dele.
Vivemos para nos surpreender e é bom quando conseguimos tirar algum proveito desse processo. Quando eu pensava sobre o assunto, com a cabeça levemente arqueada em direção à janela do coletivo, vi um jovem segurando uma daquelas placas de lançamento de apartamentos e a chuva em plena ascensão.
Logo mais, chegando na Cuatro Cabezas e dando play na primeira fita pensei em definitivo: “Do que estou reclamando? Tem sempre alguém em pior estado.”
A chuva inspira…Definitivamente, inspira.